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Sobre externar somente o melhor de si


A vida vai te fazer passar por constantes provações, e são esses momentos que irão moldar seu caráter. Se você vai ser alguém forte. Se vai ser confiável e leal. Se vai colecionar mais momentos felizes ou ruins. Não vou mentir, será mais difícil do que parece. E você vai falhar. Várias vezes. Mas, depois de tanto vivenciar e absorver, você vai se tornar uma pessoa extraordinária. Pelo menos terá a chance de ser.
Recentemente eu fui testado. Para ser mais exato, faz apenas um dia. E já te entrego um spoiler: eu quase perdi. Quase. E foi por pouco justamente porque eu tinha todas as armas ao meu favor para revidar a maldade a qual me incitaram. Era dessas vinganças para expor a “filhadaputagem” que te fizeram e que a gente acredita que a pessoa merece. Gastei parte do dia consumido pela raiva, especulando em meu interior em como seria fácil praticá-la. Horas mais tarde, levemente mais calmo, percebi quanto tempo perdi me deixando levar pelo sentimento. Posterguei assuntos importantes do dia pelo pequeno desaforo. Foi a hora que me dei conta do quão idiota estava sendo.
No nosso dia a dia sempre iremos nos deparar com obstáculos. Às vezes disfarçados de pessoas, às vezes de situações. Não dá pra fugir disso. E acredite: os tornaremos maiores do que realmente são. Mas é possível resolver isso, basta persistirmos no tipo de ser humano que queremos ser e trabalharmos nosso autocontrole focando nisso. E podemos ir além. Se tirarmos proveito dos infortúnios, exprimindo-os ao máximo em reflexões, nos conheceremos melhor e poderemos evitar futuros erros. Assim, faremos até mesmo dos frutos estragados um bom suco.
Empenhado intensamente em minha espiritualidade eu descobri que me livraria do mal se eu tomasse o rumo inverso a ele. Só assim conseguiria enterrá-lo de vez. Então, se durante o caminho esquecemo-nos de quem idealizamos ser, iremos nos autossabotar. Facilitaremos o trabalho de quem quer nos prejudicar. Ceder a qualquer anseio pelo prazer da vingança, o mínimo que seja, nos deixará vagando ainda mais perdidos. E são tantos os convites para nos afogarmos nesses sentimentos vazios.
Externe somente o bem. Qualquer outra coisa que coloque seus valores à prova não deve ser bem-vinda. Se de imediato parecer impossível, não aceite nada menor do que começar sendo a pessoa mais fantástica desse mundo. A melhor vingança é ser plenamente feliz, nenhum inimigo suporta isso.
Em uma última provocação o indivíduo desejou-me “boa sorte”. Ah, meu amigo, mal sabe ele que, definitivamente, me saí muito melhor do que esperava.
Do menino que, se tivesse cedido à vingança, continuaria há mais de um ano sem escrever no blog.
– Eric Ventura

Um adeus aos vinte e poucos anos


Ao completar 29 anos, resolvi fazer uma lista do que deveria concluir antes de entrar na casa dos trinta. Pensei em algumas coisas, mas o primeiro item da lista era NÃO querer atingir os próprios trinta. Cada mês que se passava a contagem regressiva em minha cabeça me alertava com um “agora só falta tanto tempo”. Estava surtando ao querer resolver uma vida inteira de problemas em apenas alguns dias. Como nunca fui bom com listas, fracassei em tudo brilhantemente.
Até chegar nos tenebrosos trinta a gente passa por muitas coisas. São tantas as crises que é difícil numerá-las, mas admito que principalmente os 3 últimos anos foram os mais difíceis pra mim. Aos 27 bate aquele desespero do “ainda não tenho nada” e “o que eu fiz da minha vida até agora?”.
Contudo, acho que olhar pra trás, analisando as conquistas e a falta delas, não é pior que o medo do que vem a seguir. É aquele receio de que alcançar o que tanto estimamos ainda esteja longe de chegar. Isso se chegar. Coisas essas que são na maioria o que a sociedade nos obriga a ter como carro, casa, vida estável, sucesso no trabalho, casamento e filhos. Nos cobramos, mesmo sem perceber, a fazer tudo isso fluir. E, às vezes, nem refletimos se é isso mesmo o que queremos.
Percebi ao longo do caminho que deixei a vida no automático e fui seguindo sem pensar muito em algumas possibilidades. Deixei que o meu “eu” de trinta anos resolvesse por mim e, ele, finalmente, chegou. Arrependido? De forma alguma. Planejar o que não está sob nosso total comando é a forma perfeita para nos frustar. Na verdade, nada está sob nosso total comando, nem a busca pela felicidade, caso contrário nunca ficaríamos triste. O jeito é nos arriscar em prol de nossos objetivos e acreditar que, mesmo nos tropeços, estamos construindo a estrada que escolhemos seguir.
O tempo foi correndo, os trinta se aproximando e eu comecei a compreender melhor nosso papel nisso tudo. Não sei se pela maturidade ou por ter que aceitar o fato que seria inegável, mas completar trinta anos é algo grandioso. Talvez eu devesse ficar triste pelo tempo estar passando rápido demais, mas prefiro é ficar agradecido pelo tempo que pude aproveitar. E muito mais do que isso, ficar feliz pelas novas experiências que ainda irei desfrutar e viver. Quando completei 25, me sentia com uma força surpreendente, com asas indestrutíveis e capaz de fazer qualquer coisa. Aos trinta, não apenas sinto todas essas coisas como as estou colocando em prática. Acredito que essa é a fase das realizações, época de colher os frutos das quais sonhamos e plantamos nos vinte e poucos anos. Não de tudo, mas das coisas que priorizamos.
Provavelmente, problemas como falta de dinheiro e desastres amorosos ainda continuem, afinal, completar mais um ano de vida não muda plenamente quem nós somos. Mas pode mudar nossa forma de ver o que realmente importa. Valorizar mais as coisas simples, nossa família, os poucos amigos de verdade que ficaram. Com certeza, o que nos acompanhará por essa nova década de dúvidas, é o que queremos que vá com a gente. Nos conhecemos melhor do que nunca e sabemos onde queremos chegar.
Foram trinta anos de mais perdas do que ganhos. Os rumos que tomei foram bem diferentes do que imaginei. E não poderia ter sido melhor. Sei que muito do que fiz e do que conheci seria diferente se não tivesse passado pelo que passei. Poderia ser uma pessoa na qual não me orgulhasse, diferente de hoje. Os resultados que obtive condizem com o tipo de pessoa que sou e isso explica muita coisa. Algumas das metas não cumpridas que tracei era pra alguém que eu acreditava ser, mas só descobri depois que não era. Portanto, mesmo não tendo alcançado várias das coisas que gostaria, eu só consigo enxergar êxito no caminho que percorri e sentir esperança pelo que ainda pretendo buscar.
Ao olhar para o horizonte sem foco em algo específico, levanto o braço direito e, num chacoalhar da mão, me despeço dos meus trinta anos de existência. Digo adeus a uma vida inteira, a anos de juventude e a momentos que jamais voltarão. Ainda no balançar da despedida, pronuncio palavras que mais parecem deslizar com o sopro: isso foi só o começo.
Do menino que admite o medo de fazer um texto sobre os seus quarenta anos.
– Eric Ventura

O que está acontecendo com o mundo?


Lembro, quando criança, de ouvir uma canção que me dava paz, me sentia bem mesmo sem entender direito por não ser da minha língua nativa. Que melodia. Era possível sentir o desejo do cantor por algo maior. Talvez ela tenha sido o percursor do meu gosto por John Lennon e os Beatles. Apenas alguns anos mais tarde eu viria a entender melhor a letra de Imagine, mas o ideal eu já tinha entendido há tempos.
O que está acontecendo com o mundo? Tem tanta coisa ocorrendo que não sei nem pensar numa resposta. É o caso de Mariana em MG, os atentados em Paris, atentado no Líbano, fora outras coisas que talvez não tenha chegado até nós pela mídia. E quase tudo na mesma semana. É incrível quantas tragédias podem caber num mesmo período de tempo. Não que não acontecesse esse tipo de coisa antes, mas nos últimos anos nós temos presenciado tantas desgraças que me faz pensar sobre os danos que temos causado. Digo no plural porque todos temos uma parcela de culpa, seja sobre o meio ambiente, seja sobre as pessoas.
Acredito que vivemos numa época crítica pelo simples motivo de descobrirmos que em nosso próprio ciclo de amizade existem pessoas que contribuem, e muito, para uma sociedade do ódio. Imagino que antigamente, pela falta de uma tecnologia de acesso à informação diversificada como temos atualmente, os fatos eram escondidos com mais facilidade, deixando dessa forma o povo menos culto e mais manipulável. Era mais difícil saber o pensamento alheio. E era dito que os maiores causadores da discórdia estavam no congresso. Hoje, graças a internet, basta uma timeline de rede social pra vermos como estamos rodeados por todos os cantos pelos mesmos tipos de pessoas. E os chamamos de amigos. É tanta raiva espalhada pela maioria deles que ficamos meio confusos pelo rumo que o planeta está tomando. Desejam morte para os bandidos, morte para a presidente, morte para os homossexuais, morte para quem está fugindo da morte pela guerra de seu país de origem. Elegem quem prefere prisões à escolas. Escolhem destruir a natureza e expulsar os índios de suas terras em nome do “progresso”. Caralho, sem as pessoas não haverá progresso!
A cor da pele deveria apenas colorir o mundo com mais beleza e não ser um separador de povos. A religião deveria pregar o amor e não ser motivo de milhões de pessoas serem mortas em campos de concentração. Aliás, um religioso deveria repassar seu conhecimento para a paz e não agir por interesse próprio ou minimizar quem não tem uma mesma crença. Deveria haver igualdade nos direitos de todos os gêneros. Não deveria ser tão difícil viver em paz. Quando será que iremos aprender?
Minha solidariedade a todos os envolvidos nessas tragédias. Vocês não estão sozinhos, estamos todos juntos nessa dor. Desejo que essa seja mais uma oportunidade de nos unir e mostrar pra nós mesmos que todos estamos do mesmo lado, mesmo que alguns estejam confusos e não tenham percebido isso ainda. Pode parecer que tudo está perdido, mas, enquanto estivermos aqui, haverá esperança sim. E termino esse texto com um trecho traduzido da mesma música que citei no início e que até hoje continua me inspirando: “Você pode dizer que sou um sonhador, mas não sou o único. Tenho a esperança de que um dia você se juntará a nós. E o mundo viverá como um só”.
Do menino que acredita.
– Eric Ventura

Viva La Vida


Recentemente, fuçando algumas coisas antigas, encontrei um texto que escrevi há 5 anos. O texto foi um dos primeiros escritos para o blog, a versão antiga deste. É uma crônica real que aconteceu comigo quando saí da cidade interiorana em que morava para chegar até a capital paulista. Estava seguindo na intenção de ir ao show do Coldplay, a qual era muito fã.
Naquela época já me considerava um espírito aventureiro e estava prestes a começar a entrar em estradas mais desafiadoras na vida. Aquele dia fatídico me ensinou muita coisa e, lendo o texto novamente, volta a me ensinar.
Reproduzo agora uma versão resumida do texto, pois além de falar sobre o dia, o original é uma resenha do show. E o mesmo é bem longo. Assim, a seguir, o texto “Viva La Vida”:
Aprendi nos últimos tempos que, às vezes, é extremamente importante que arranjemos algum tempo para nós mesmos. Fazer coisas que realmente queremos e não o que necessitamos fazer. Recarregar as baterias, reavaliar decisões, enfim, refletir sobre tudo o que andamos fazendo ou o que deveríamos estar fazendo. E não importa o quanto isso possa custar, merecemos e devemos isso a nós mesmos, fazer tudo o que torne o momento inesquecível. Sendo assim, nesse dia, não tirei um gatinho de cima da árvore, muito menos salvei o mundo, eu só deixei a viagem me levar.
Nasce a manhã de terça-feira, 2 de março de 2010. Depois de algumas confusões sobre a locomoção e da mochila abastecida com comida, está tudo pronto para a viagem. Passagem comprada e o ônibus faz seu destino à capital paulista. Durante o percurso ouço alguns álbuns da banda, relembrando assim as letras das músicas. Um pouco de trânsito e chuva no caminho, o ônibus chega à estação rodoviária.
Parando um pouco pra pensar, paira sobre a cabeça: “e agora, como chego ao local do show?”. Procurando, encontro um posto de informações. Perguntando para a mulher em como chegar ao estádio, recebo uma resposta um pouco diferente do que imaginava receber: “me desculpe, moço, aqui é o posto de informações da TIM e não tenho como te ajudar, até porque nem daqui eu sou”. Um pouco constrangido ao não ter notado a enorme placa de identificação da operadora, fui em busca de outro posto. Encontrando, faço a mesma pergunta ao atendente e fico abismado pelo tamanho da minha ignorância, porque sou informado que, para chegar ao estádio do Morumbi, é só pegar o trem e ir até a estação Morumbi. Super simples, como não pensei nisso antes? E, assim, prossigo ao transporte.
Enquanto fazia o trajeto pelo trem, tudo parecia normal, mas a cada estação entrava mais e mais pessoas no vagão. E a estação de destino ainda estava longe de chegar. Passaram-se alguns minutos e, quando você achava que não cabia mais ninguém, as pessoas desafiavam as leis da física e mostravam que Newton estava errado, pois dois corpos podem sim ocupar o mesmo espaço. Para ficar ainda pior, onde já estava difícil de respirar, uma mulher não se contendo em incomodar as pessoas ao seu redor, abre um salgadinho de queijo com cheiro de chulé, o qual empesteia todo o vagão. Sem contar o cheiro de sovaco que já estava.
Quando estava finalmente chegando a hora de descer e já não parecia ficar pior, eu ainda precisava chegar até a porta do trem, sendo que mal conseguia me mexer e estava bem ao meio do corredor, longe da saída. Entre apertos e suores, e com a ajuda dos empurrões de alguns bons corações ao meu caso, a porta fica próxima. A briga agora era conseguir atravessar a passagem para fora, pois era empurrado para dentro por quem queria entrar, pessoas essas que insistiam na história de sempre caber mais um. Com muita força de vontade e querendo fugir da claustrofobia, consegui sair e ver o sol novamente.
Pronto. Tudo parecia estar mais fácil, era só perguntar para o fiscal onde saía da estação e qual rua tomar para ir até o estádio. Infelizmente não era só isso, ao conversar com o fiscal, ele me informa que para ir ao estádio não era para descer na estação Morumbi e, sim, ter descido várias estações antes. Teria que pegar novamente o trem e voltar até a outra estação. Nesse instante descobri que não era tão ignorante quanto pensei ao ter pedido a informação no posto. Sorrindo ironicamente e sem outras opções, o jeito era confiar na informação sem pensar que ela poderia estar errada. Novamente pegando o trem e pensando que era meu dia de sorte por não estar tão cheio quanto o anterior, desço na outra estação e saio para a rua.
Continuando o caminho, refletia sobre como existem diversos caminhos para se chegar a um lugar. A prova disso era cada pessoa me dizer algo completamente diferente do outro. Assim, me convencem a pegar um ônibus até o estádio. Perguntando no ponto qual dos milhares de ônibus que passavam ali eu deveria pegar, um fiscal do tamanho de uma montanha me disse um nome e, ao chegar um outro, me ergue pelos braços e diz que aquele também iria, me jogando assim para dentro do mesmo. Nessa hora me bateu um sentimento de não ter poder de decisão sobre coisa alguma.
Com a ajuda do cobrador, desço ao lado de um córrego e vejo uma grande multidão caminhar a um lugar em comum. Assim surge um sorriso no canto dos meus lábios e a intuição de que estava perto. Caminhando vários metros e cada vez mais ver um número maior de pessoas, é possível notar de longe um enorme estádio e com o letreiro em vermelho dizendo: São Paulo Futebol Clube. Naquela hora já podia notar que o show não podia ser em um lugar melhor.
Depois de ser xingado por algumas meninas por atrapalhar suas fotos e de caminhar por toda a área externa do estádio para encontrar a portaria certa, consigo entrar. Pura emoção. Não sei como não havia ido lá antes. Achando um bom lugar para sentar na arquibancada, podia ver melhor a quantidade de pessoas à espera do espetáculo. E a cada minuto chegava mais centenas delas. Agora era só esperar.
Poucas horas depois e começam as bandas de abertura. O público na arquibancada, para comemorar o que sentia, fazem com sucesso a maior “ola” de que já participei na vida, dando toda a volta no estádio. Ao final de cada um todos comemoravam com muitos aplausos. Animados e ansiosos, é chegado o momento. As luzes são apagadas. O som vai aumentando pouco a pouco com a música instrumental Life in Technocolor. As pessoas vão ao delírio e, finalmente, o Coldplay entra em palco.
É esse o ápice de que disse no começo do texto. Nesse momento tudo se desligou. A hora agora é toda sua. Esquecer os problemas e pensamentos é algo instantâneo. Todos que já passaram por esse momento sabem do que estou dizendo.
Lembrando do show, sei que sempre irei me recordar não apenas do momento da banda tocando, mas sim de todo o trajeto ao chegar nele. Todas as atrapalhadas. Isso só prova que a viagem não é apenas o lugar de destino e, sim, todo o caminho que você percorre.
Esse show é apenas um exemplo que procuremos buscar mais sobre o que nos deixa felizes. Assim como a música da banda e o título desse texto, precisamos viver a vida. Deixamos às vezes que algum acontecimento, o qual não deveria importar tanto, tome conta de nossa vida. Se o trabalho ou qualquer outra coisa começar a nos fazer mal, devemos procurar nele algo que nos faça reativar o interesse. Ou, então, trocá-lo de vez. Devemos passar mais tempo com as pessoas que amamos e fazendo o que gostamos. Não podemos nos esquecer disso. Nunca.
Seja o escritor da sua vida. Não deixe que o escrevam por você. Pode-se perder histórias fantásticas pra contar.
Do menino, que mesmo depois de 5 anos, não esqueceu.
– Eric Ventura

O que Wally pode nos ensinar sobre a vida?


Há alguns anos, durante a infância, um livro muito específico me marcou. Era todo colorido, cheio de ilustrações e, seu principal objetivo, era perseguir um maldito personagem que parecia impossível de se achar. Levava vários minutos – quiçá, horas – pra conseguir virar a página e procurar o próximo. Aquela alegria de encontrá-lo era inigualável. Mas, teve vezes que, de tão difícil, o abandonava furioso. E não foram poucas essas vezes.
O tempo passa. Adulto, percebo que aquela impaciência, característico das crianças, nos acompanha por toda a vida. Não querer esperar é algo que só nos faz sofrer. Essa ansiedade de ter tudo na mão o quanto antes só me parece fazer o tempo correr mais rápido. Enquanto que, nossos objetivos, parecem ficar mais atrasados. Como no antigo ditado “quem tem pressa, come cru e quente”, com a falta de paciência, iremos apenas quebrar a cara. É nesse ponto que o famoso livro entra. E, como vocês já devem ter percebido, o livro em questão, é o “Onde está o Wally?”.
Mais do que conseguir encontrar o Wally no meio da multidão, encontro muitas semelhanças entre seus livros e a nossa vida, assim como nossos objetivos e com as pessoas que conhecemos pelo caminho. Para localizá-lo você não pode se fixar em apenas um lugar, é necessário não ter pressa e caminhar os olhos por todos os cantos e detalhes ao seu redor. Procurar em novos lugares. Leva-se tempo para achá-lo. Ele sempre está viajando. Um dia está em Londres e, em outro, Roma. E em alguns países se esconde com nomes diferentes. Mas isso não significa que não pode ser encontrado. Só mostra como o percurso é árduo, temos que insistir e persistir, mas, ao mesmo tempo, viajar em sua busca, será divertido e gratificante. Várias vezes iremos nos deparar e nos enganar com personagens que achamos ser o Wally, isso é comum, faz parte do trajeto. Mas vai chegar a hora que, ao olharmos com muita atenção, saberemos que é quem estamos procurando. Se por algum motivo desconfiarmos que não é, sempre temos a opção de recomeçar.
Acredito que essa busca é incessante. Sempre haverá um livro novo para nos aventurar em descobrir seu paradeiro. E a beleza está aí. A pressa sempre estará em nosso cotidiano, desafiando nossa paciência. Mas esperar também não é uma opção. Temos que fazer nossa parte, agir pelo que queremos e deixar o resto acontecer. É duro, mas também o que vem fácil, vai fácil. Dessa forma, em nossas vidas, teremos diversos Wally’s para encontrarmos. Todos parecem iguais, mas existem alguns especiais prontos para serem descobertos. E, com sorte, durante a nossa jornada, terminaremos vários e vários de seus livros.
Do menino, que está com uma enorme dificuldade para achar alguns dos “listrados”, mas que não vai desistir de procurá-los.
– Eric Ventura

Pela fé que ainda me resta


Se tem algo que me entristece profundamente é a morte prematura de alguém. Pior ainda se é alguém do bem. Mais ainda quando é um jovem que tem muito pela frente, que tem tudo pra fazer história. Hoje foi um dos dias em que fiquei assim.
Ricardo dos Santos era um surfista de 24 anos. Amigo do atual campeão do mundo, Gabriel Medina, Ricardinho, como era conhecido, estava numa fase promissora, que ainda iria se destacar muito mais pelo seu talento, já o tendo feito derrotando o mais famoso surfista do mundo, Kelly Slater.
Me aborrece o fato de um policial ser o responsável pela morte do rapaz. Alguém que era para servir de proteção, e não o contrário. E que o fez intencionalmente. Isso me faz entrar em questionamento a respeito de muitas coisas, principalmente sobre nosso futuro. Sou do tipo de pessoa que acredita na utopia de um mundo melhor, mas cada vez mais fica difícil de manter essa crença. Não é um babaca assassino desses que vai me fazer parar de acreditar, mas o fato é que casos como esse mexem comigo e, graças a Deus, não só pra mim. Mas são dos tipos de coisas que me fazem refletir sobre a vida e como existem pessoas que a tiram dos outros por nada.
O que me consola é que alguns desses casos ganham grande repercussão, chocando todo o país e o mundo. São mortes que devem ser lembradas, devem virar exemplo e inspiração. Ainda tenho esperança no mundo, no Brasil. Precisamos de mais garotos do bem, como o Ricardo, mas precisamos deles vivos. O mesmo reivindicava sobre os bandidos que estavam dominando a cidade onde morava, que não tinham respeito pela vida, pelo ser humano e que atiravam em qualquer um que os ameaçasse. E foi um desses que o levou daqui.
Meus sentimentos aos familiares e amigos do Ricardo, não deve estar sendo fácil presenciar uma injustiça dessa. Espero que com o tempo, o mais rápido que puder, o coração de vocês possam ser confortados. Pela fé que ainda me resta, quero acreditar que a morte dele – infelizmente, como a de vários outros – não será em vão, que haverá justiça e que, de alguma forma, ele influenciará coisas boas para as pessoas e em pró de nosso país. Eu acredito.
Do menino, que faz parte dos que não desistem de um mundo melhor.
– Eric Ventura

O que deixamos pra trás


Às vezes, deitado e prestes a dormir, me encontro perguntando para mim mesmo sobre meu dia. Entre vários devaneios filosóficos que normalmente me causam insônia, me questiono sobre o que fiz. Não apenas isso, penso no que deixei pra trás, o que ficou e nunca mais será possível alcançar já que, aquilo, foi consumido pelo passado. Sobre o que podia ter dito e não disse. Sobre ter aproveitado uma oportunidade na qual não aproveitei. E enquanto ficava nesses dilemas, descobri algo que lá no fundo já sabia: sofro da síndrome de não poder ser e fazer TUDO que se é possível. Calma, eu explico.
Você vai e faz um intercâmbio e acaba querendo morar lá para sempre, ao mesmo tempo que quer morar também para sempre no lugar de onde veio e de todos os que conheceu. Sem contar aqueles duzentos ou trezentos que ansia muito em conhecer e sabe por instinto que moraria lá também. Gostar de um local de trabalho que você está e aparecer algum outro que te interesse e, em vez de trocar, poder ficar nos dois. Isso se não aparecer um terceiro. E ainda querer ter milhões de profissões diferentes pra poder fazer tudo, poder preencher todas as lacunas. Tocar todos os instrumentos. Falar todas as línguas. Conhecer todo mundo e o mundo todo. É isso, esse sou eu.
Mesmo com o sonho de que fosse possível me dividir em várias pessoas, ainda prefiro do jeito como as coisas são, pois acredito que a mágica está nisso, não passar de um sonho impossível de se realizar. Por quê? Porque acredito que há uma beleza em se deixar algo depois de ter decidido que uma outra alternativa seja ainda melhor pra você. E ter que selecionar opções pra levar durante a vida toda a torna ainda mais especial. Poder adicionar um novo hobbie na sua lista depois de alguns anos sem um novo e se aperfeiçoar é indescritível. Saber de tudo nos impediria de nos relacionar com as outras pessoas achando que de nada elas nos acrescentariam. E quem somos nós sem as outras pessoas, não é? Como Christopher McCandless aprende no filme Na Natureza Selvagem – filme que todo mochileiro adora – “A felicidade só é real quando compartilhada”.
Quando nos sujeitamos a embarcar numa viagem, somos obrigados a deixar algumas coisas pra trás. E essa é uma das melhores coisas que ela nos proporciona. O viajante aprende que não deve se prender à coisas, muito pelo contrário, deve se apegar ao momento exato em que está vivendo. Assim, que possamos compartilhar de nossas experiências e deixar algumas histórias pra trás. Algum quarto que deixamos vazio por aí e sentimos saudades, hoje é habitado por um novo alguém, que ainda ficará para um outro amanhã. E que, nesse ciclo que muda constantemente, novas histórias se iniciem.
Do menino, que procura poder compartilhar mais.
– Eric Ventura

Pequeno companheiro, grandes asas


Ainda garoto, com 7 anos, ganhei meu primeiro cão. E último até hoje. Voltava ansioso da escola para poder conhecê-lo, mal sabia o quanto você ia aprontar com nossa família. Nos seguia toda vez que saíamos de casa, seja correndo até não aguentar mais quando íamos de carro, ou apé, ouvindo nossas repreensões pra você não nos acompanhar, no qual você nunca obedecia.
Cão andarilho, que conheceu tantos lugares caminhando sozinho por aí. Passou por tantas histórias que até desconheço, descobrindo até filhos seus depois de grandes. Ficava admirado por ser apenas um cachorro e se aventurar tanto assim, mostrando que não existem barreiras pra quem realmente quer cair no mundão. Você foi minha primeira influência de viajante e na época nem fazia ideia. Acabei aprendendo que pode ser muito duro sair de casa pra se aventurar, mas quando a viagem ultrapassa os limites do pensamento, não dá mais pra ficar com os pés presos no chão, a gente tem que se deixar voar.
Esperto, acompanhava minha avó todas as vezes até sua casa para poder ganhar um pão duro e voltava feliz da vida. Teve tantos cães companheiros e todos se tornaram seus parceiros, independente de suas raças. Vinham e iam, e você, é o que sempre ficava. E tantas vezes nos pregou peças que iria nos deixar, ficando dias desaparecido, mas sempre nos enganava no final da história, aparecendo e esbanjando mais saúde do que nós mesmos. Gostaria que estivesse as pregando até hoje.
Tentamos te treinar, jogando objetos no mato da frente de casa pra você correr atrás e procurar, mas nunca aprendeu a trazer de volta. A cada jogada achada, latia e latia, mas nada de trazê-las.
Lembro de toda vez que chegávamos em casa e você dentro da sua caixa velha de papelão na garagem, que não trocava de jeito nenhum por uma casinha de madeira. Levantava a cabeça pra ver se tínhamos mesmo chegado, pulava da caixa e saia correndo abanando o rabo de felicidade de nos ver. Acho que na verdade você queria comida, isso sim.
Nos perseguia por todo lado, nos acompanhava por quilômetros. Você me viu criança e me viu adulto. Foi um verdadeiro membro da família. Até sobrenome nosso você tinha. Algumas vezes ainda jogo algo no mato pra ver se você aprende a nos trazer de volta. E você continua não trazendo, seu teimoso.
Do menino, que sente sua falta nesses dez anos que já se passaram.
– Eric Ventura

Meu eu há um ano


E aqui estamos nós. De novo. Só eu acho que esse ano voou rápido demais? Bem, tenho ainda mais uma pergunta: você se lembra o que estava fazendo nesse exato momento um ano atrás? Pode pensar um pouco, eu espero. Pronto? É uma pergunta difícil, eu sei. Mas não é difícil se foi um dia muito importante pra você. Um daqueles mais importantes.
Voltando pra casa. Isso que eu estava fazendo. Escrevendo a última página de uma história. Começando uma outra nova. Sensação estranha você relembrar o lugar que estava exatamente há um ano. Com quem você estava. Quem você era. A gente para pra analisar e mesmo sendo um tempo não tão distante, vemos que já não somos mais os mesmos. Pelo menos em alguma coisa estamos mudados.
Geralmente quando ficamos obcecados por algum fato do passado, significa que de alguma forma queremos reviver aquela memória. Às vezes, não conseguimos abandonar aquele que ficou no passado. Demoramos a aceitar, mas ele, já não existe mais. Impossível de ser alcançado. Seja nós mesmos ou até alguma terceira pessoa.
Às vezes, quando algumas datas passam de seu primeiro ano de aniversário, é necessário parar de contar. Precisamos abrir espaço para novas aventuras. Nosso ‘eu há um ano’ sempre será memorável se, fizermos do hoje, um ótimo dia. O jeito é seguir em frente. Há tanto por vir ainda.
É parar de viver o agora conforme o passado que tivemos, a não ser que esteja tirando uma lição boa do que passou. Faça coisas que habitualmente você não faz. Abra-se a coisas novas. Só de abrir um pouco a mente, muitas coisas boas e novas irão acontecer.
Assim, dê adeus ao seu antigo eu. Dê adeus à aventura que já devia ter acabado. E dê boas vindas para a nova que se inicia. E ela, meu amigo, começa agora.
Do menino, que há um ano, nesse exato momento, era soprado de volta pra casa.
– Eric Ventura

Aqueles que não foram realizados


Nunca fui muito fã desse negócio de correr desesperadamente pra fazer tudo em dezembro o que não foi feito no decorrer do ano. Sempre achei que devemos fazer isso durante o ano todo. Se não fez, meu filho, esqueça. Mas realmente a gente para pra analisar e vemos quanto tempo perdemos com besteiras nesses 365 dias. Dias esses que acabamos não vivendo pra nós mesmos.
Devo respeitar esse inventor de separar em conjuntos os dias, meses e anos. Esse cara sabia exatamente como é o ser humano. Vivemos não o hoje, mas sim o amanhã. Pra nós, sempre o futuro será mais bonito do que o presente. E não é pra menos, é lá que habitam nossos sonhos, o mistério, o inalcançável. E infelizmente somos assim, o que não podemos ter é o que achamos ser o melhor pra gente.
Para crescer é necessário mudar. Para mudar, é preciso ter coragem. E para se ter coragem, é preciso sonhar. Deixar o passado pra trás só é difícil se não crermos que o futuro pode ser ainda melhor. Assim, o hoje é nossa melhor oportunidade.
Uma amiga me ensinou uma vez sobre resolver nossas pendências antes que o ano acabe. Não levar esses problemas para o próximo. O que incomoda tem que ficar no velho, precisa ser deixado.
Com esse raciocínio, nos restam poucos dias para cumprirmos nossos desejos do último ano novo. Sem pular ondinhas, sem fazer pedidos sob os fogos à meia noite. A hora agora é de por tudo em prática, sem pestanejar. Dar um último beijo. Dar um primeiro beijo. Abrir caminho à novos amores. Fazer as pazes com seu melhor amigo. Reforçar os laços familiares. Fazer uma última viagem. Botar aquela porra de projeto engavetado pra funcionar. E aquele maldito regime então?
Temos poucos dias, não há tempo para esperar começar só na segunda. Que esse apetite, essa vontade de viver intensamente, permaneça todo o ano que vem. Façamos repúdio à esses velhos hábitos, eles não nos representam. E que no próximo fim de ano, em vez de pensar em mudar, só pensemos em manter o foco.
Do menino, que está correndo porque acha que dezembro não é suficiente.
– Eric Ventura

Carta a mim mesmo

Noite de Halloween. Um copo de Guinness. Uma folha em branco. Conversas com pessoas de longa distância. Pode parecer não existir relação entre eles, mas existe, mesmo que não faça sentido algum para uma segunda ou terceira pessoa. Às vezes, para a primeira pessoa não faça sentido amanhã, mas para o agora, ela faz. Mas posso afirmar, o caminho e a mudança, eles são a relação.
Acredito que nossa vida seja movida por esses dois itens. Elas andam sempre juntas, hora são nossas amigas, hora nem tanto. Elas são combustível que nos fazem seguir adiante. São coisas que nem sempre temos total controle.
Temos fases em que, momentaneamente, não sabemos quem somos devido a não ter passado esse respectivo momento antes e é nessa hora que surge a mudança em nossas vidas. O problema é que às vezes mudamos e não sabemos se foi para melhor ou para pior.
Algumas vezes não trilhamos caminhos que nós gostaríamos. Algumas vezes nem sabemos pra onde queremos ir. Algumas vezes até, esquecemos o caminho de volta pra casa.
Do menino, que escreveu essa carta a ele mesmo, exatamente 1 ano atrás. E que ainda faz sentido.
– Eric Ventura

Nem todos podemos ser heróis


Quando criança, eu tinha a convicção que era feito de aço, assim como o Superman. Achava que nada podia me ferir, mesmo com as infinitas borradas que cometia e tirando também os vários hematomas por brincadeiras que, olhando hoje, eram absurdas e cheias de risco. Encarava tudo com muita coragem, até mesmo quando era relacionado com altura e lugares apertados, coisas que hoje são uma das minhas kryptonitas. Era apenas um pequeno que não percebia que possuía mais em comum com seu personagem favorito, o Batman.
Ser humano, sem super poderes, é o que somos. Parece que descobrimos isso apenas depois de crescer. O jogo parece se inverter, tudo pode nos machucar. Podemos ainda machucar ao outro. Aquela super força de aguentar tudo, agora virou fraqueza. Perdemos a invencibilidade e nos tornamos vulneráveis. O medo do desconhecido, ele agora é que está presente ao se tomar decisões. Algo pelo caminho nos faz acreditar que nem todos podemos ser heróis. Mas acho que isso desaparece quando reaprendemos a voar.
Olhando bem lá atrás, acredito que quando crianças, tínhamos sim super poderes. Não é a toa que todo mundo diz sentir saudades e que tudo era mais fácil. Acho que com o tempo, nos deixamos ser influenciados pelos problemas que o mundo nos empurra e acabamos perdendo a capa vermelha que tínhamos amarrada no pescoço.
Enquanto não reaprendo a voar, tento outros meios de buscar aquele herói interior. Doação de sangue é uma dessas práticas que adotei esse ano. Agulha é outra das minhas kryptonitas, mas parece que quando deixamos de tentar e começamos realmente a lutar contra nossos monstros, conseguimos vencê-los aos poucos.
E seguindo com esse ideal, gosto de acreditar que ao olhar para o céu tem um herói lá, me vigiando e que está me guiando. Se não posso ser um herói, quero pelo menos, colecionar alguns atos heroicos. Esse poder de fazer acontecer, talvez, ainda permaneça.
Do menino, que acredita que aquele pequeno herói, ainda cuida dele.
– Eric Ventura

O que vem depois


Uma das coisas que mais estremece o ser humano é a desvinculação repentina com algo ou alguém. O rompimento de relação. O encerrar do ciclo. Esse indivíduo, mesmo sabendo que todo início também tem um fim, não gosta de ter que aceitar o fato.

Podem ser devaneios de uma identidade interior que nunca existiu, pode ser aquele resto da pessoa que você realmente era ou que gostaria de continuar sendo, não importa, agora ele caminha por um corredor escuro sem saber o que vem depois. Mas há uma luz lá em frente. Ele sabe disso, tem medo, mas sabe.

Estive procurando diversas estradas. Todo santo dia. Acabo vagando por aí, sem rumo, achando que talvez na próxima curva descubra os porquês das coisas. Mas não é assim que funciona. Vejo todas as promessas, das quais já tinha tomado lição, se desmaterializarem à minha frente e voarem como a areia do deserto. Mas passo a compreender que mais difícil que aprender é colocar em prática.

Tudo em nossa vida é passageiro, tudo está predestinado a acabar. Algumas coisas duram mais do que outras, mas um dia acaba. Tento aceitar esse fato vivendo cada dia e cada momento sem pensar no amanhã. Não é fácil e nem sempre é possível fazer isso, mas tem que ir tentando. O jeito é procurar novos objetivos, mas não pra substituir um antigo e, sim, para descobrirmos novas coisas que nos agradem. Talvez nesse processo acabemos encontrando uma personalidade interior que achávamos ter sumido, um alguém que assumirá nossa vida e que já está mais próximo do que pensamos. É nessas pequenas coisas que temos que focar nosso tempo. E talvez, conforme for seguindo, essa forma de viver se torne um hábito.

Não sei a extensão desse corredor que caminhamos. Para alguns levam dias e, pra outros, meses. Sem nos apressar, tomemos nosso próprio tempo. Mas não podemos esperar sentados, temos que fazer algo a respeito. Não importa que demore desde que não estejamos parados. Não sei o que vem depois, mas, baseado nas vezes anteriores, o que veio foi muito melhor.
Do menino que avista o fim, lá longe, mas que tenta seguir em frente.
– Eric Ventura

Nosso lugar ao sol


Em certos momentos da nossa vida, algumas vezes sentimos que não nos encaixamos mais em algum determinado lugar. Quanto mais você tenta ficar longe, mais perto você acaba ficando. Trilhamos caminhos que não gostaríamos. Algumas vezes nem sabemos pra onde queremos ir. Em outras, esquecemos o caminho de volta.
O tempo vai passando e é difícil distinguir se as coisas vão ficando mais claras ou mais complicadas. Porém nada é por acaso. Sempre estaremos em busca do caminho de casa.
Os problemas que encontramos à nossa frente simplesmente nos ajudam a direcionar nossos passos. Eles aparecem para nos retardar, mas fortificam nossas decisões. Parecem que nunca vão acabar, mas, quando olhamos pra trás, vemos o quão longe já conseguimos caminhar.
Não é possível saber se algum homem já conseguiu alcançar o lugar que tanto esperava chegar. Sempre queremos mais e mais, não paramos nunca. Essa obsessão acaba sendo algo bom, nos ajuda a sempre querer nos mover. É impossível sermos a mesma pessoa quando nos sujeitamos a ver o que há lá fora nos esperando. O lugar que era bom ontem, não é onde quero estar hoje.
Quando sentimos que não temos ainda nosso lugar no mundo, temos o mundo todo ao nosso alcance. E só sair e procurar. Se não cessarmos nossa busca, certamente, um dia chegaremos lá.
Do menino, que acredita que o mundo todo é seu lugar.
– Eric Ventura