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Um adeus aos vinte e poucos anos


Ao completar 29 anos, resolvi fazer uma lista do que deveria concluir antes de entrar na casa dos trinta. Pensei em algumas coisas, mas o primeiro item da lista era NÃO querer atingir os próprios trinta. Cada mês que se passava a contagem regressiva em minha cabeça me alertava com um “agora só falta tanto tempo”. Estava surtando ao querer resolver uma vida inteira de problemas em apenas alguns dias. Como nunca fui bom com listas, fracassei em tudo brilhantemente.
Até chegar nos tenebrosos trinta a gente passa por muitas coisas. São tantas as crises que é difícil numerá-las, mas admito que principalmente os 3 últimos anos foram os mais difíceis pra mim. Aos 27 bate aquele desespero do “ainda não tenho nada” e “o que eu fiz da minha vida até agora?”.
Contudo, acho que olhar pra trás, analisando as conquistas e a falta delas, não é pior que o medo do que vem a seguir. É aquele receio de que alcançar o que tanto estimamos ainda esteja longe de chegar. Isso se chegar. Coisas essas que são na maioria o que a sociedade nos obriga a ter como carro, casa, vida estável, sucesso no trabalho, casamento e filhos. Nos cobramos, mesmo sem perceber, a fazer tudo isso fluir. E, às vezes, nem refletimos se é isso mesmo o que queremos.
Percebi ao longo do caminho que deixei a vida no automático e fui seguindo sem pensar muito em algumas possibilidades. Deixei que o meu “eu” de trinta anos resolvesse por mim e, ele, finalmente, chegou. Arrependido? De forma alguma. Planejar o que não está sob nosso total comando é a forma perfeita para nos frustar. Na verdade, nada está sob nosso total comando, nem a busca pela felicidade, caso contrário nunca ficaríamos triste. O jeito é nos arriscar em prol de nossos objetivos e acreditar que, mesmo nos tropeços, estamos construindo a estrada que escolhemos seguir.
O tempo foi correndo, os trinta se aproximando e eu comecei a compreender melhor nosso papel nisso tudo. Não sei se pela maturidade ou por ter que aceitar o fato que seria inegável, mas completar trinta anos é algo grandioso. Talvez eu devesse ficar triste pelo tempo estar passando rápido demais, mas prefiro é ficar agradecido pelo tempo que pude aproveitar. E muito mais do que isso, ficar feliz pelas novas experiências que ainda irei desfrutar e viver. Quando completei 25, me sentia com uma força surpreendente, com asas indestrutíveis e capaz de fazer qualquer coisa. Aos trinta, não apenas sinto todas essas coisas como as estou colocando em prática. Acredito que essa é a fase das realizações, época de colher os frutos das quais sonhamos e plantamos nos vinte e poucos anos. Não de tudo, mas das coisas que priorizamos.
Provavelmente, problemas como falta de dinheiro e desastres amorosos ainda continuem, afinal, completar mais um ano de vida não muda plenamente quem nós somos. Mas pode mudar nossa forma de ver o que realmente importa. Valorizar mais as coisas simples, nossa família, os poucos amigos de verdade que ficaram. Com certeza, o que nos acompanhará por essa nova década de dúvidas, é o que queremos que vá com a gente. Nos conhecemos melhor do que nunca e sabemos onde queremos chegar.
Foram trinta anos de mais perdas do que ganhos. Os rumos que tomei foram bem diferentes do que imaginei. E não poderia ter sido melhor. Sei que muito do que fiz e do que conheci seria diferente se não tivesse passado pelo que passei. Poderia ser uma pessoa na qual não me orgulhasse, diferente de hoje. Os resultados que obtive condizem com o tipo de pessoa que sou e isso explica muita coisa. Algumas das metas não cumpridas que tracei era pra alguém que eu acreditava ser, mas só descobri depois que não era. Portanto, mesmo não tendo alcançado várias das coisas que gostaria, eu só consigo enxergar êxito no caminho que percorri e sentir esperança pelo que ainda pretendo buscar.
Ao olhar para o horizonte sem foco em algo específico, levanto o braço direito e, num chacoalhar da mão, me despeço dos meus trinta anos de existência. Digo adeus a uma vida inteira, a anos de juventude e a momentos que jamais voltarão. Ainda no balançar da despedida, pronuncio palavras que mais parecem deslizar com o sopro: isso foi só o começo.
Do menino que admite o medo de fazer um texto sobre os seus quarenta anos.
– Eric Ventura

Sobre se reinventar


Para muitos, esse ano ficou conhecido como um ano nada fácil. Mesmo tendo voado rápido para mim, sou um desses que teve a mesma sensação: 2015 foi um ano bem duro. Houve lágrimas, crises emocionais e existenciais, preocupações familiares, estresse à flor da pele, brigas, desolações, expectativas frustradas, entre muitas outras coisas. Porém, uma força presente em mim nesses doze meses teve um papel fundamental para que eu triunfasse em cada momento delicado em que vivi: a esperança.
Sempre fui uma pessoa positiva, que sempre procurou uma luz no fim do túnel, mas posso dizer que nesse ano eu me superei. A fé e a crença de que tudo daria certo ou que pelo menos o resultado fosse o melhor possível, foram além do que eu estava acostumado. Entretanto, isso não aconteceu de uma hora para a outra e há uma lógica por trás disso.
Quem acompanha o Um Menino Caminha há algum tempo já deve ter percebido que o blog não se trata apenas de viagem. Na verdade, é muito mais que isso. A própria descrição da fanpage entrega o real significado: “sobre a melhor viagem que embarcamos: a nossa própria vida”. E foi viajando por aí – um hiato que deu uma relevância maior no meu dia a dia dali em diante – nessa grande jornada que aprendi uma lição valiosa e que mudaria o meu rumo para sempre: recomeçar é tão bom quanto começar.
Pense bem. Iniciar algo do zero, sem ter muita experiência sobre o assunto, é algo sofrível. Prazeroso, mas sofrível. As falhas sempre batem à porta. Realizar as tarefas com maestria exigem muito da gente e nem sempre são garantidas. Após um tempo adquirindo conhecimento e aprendendo os macetes é que sentimos a confiança de que dominamos aquilo que estamos tratando. Contudo, isso também não significa que estamos isentos de falhar. Assim, ao ter que juntar os cacos depois de uma potencial grande queda, retomar o trabalho inicial já não é tão ruim. Vamos descobrindo aos poucos que nossas pernas vão se fortalecendo enquanto caminhamos. E, havendo novas decaídas no futuro, o baque é menor e o novo recomeço é mais triunfal.
Nós temos tanto medo do incerto e da mudança que isso acaba nos cegando para os benefícios que eles nos proporcionam. A dor causada pelo fracasso realmente tem um gosto amargo, mas é através dos infortúnios que temos a chance de crescer. Não temos o controle de tudo, mas podemos fazer algo a respeito. Precisamos agir e acreditar verdadeiramente naquilo que é melhor pra gente. Caso não saia como o esperado, temos que nos reinventar conforme o resultado. O que acontecer depois disso pode ser melhor do que o planejado.
Esse ano foi duro, mas eu sou mais duro ainda. De tanto cair, descobri que sou bom o bastante para tentar novamente. Abandonei um emprego, uma profissão dos sonhos de alguém que ficou lá pra trás, no passado, para poder viver um outro velho sonho o qual sempre foi mais importe pra mim. Me dedicar à escrita de corpo e alma não é um pedido de ano novo, já é uma realidade, uma necessidade para eu ser mais feliz. E eu me devo isso.
Do menino que te deseja um "feliz recomeço novo".
– Eric Ventura

Vida de viajante solteiro


Pela vida. Essa seria a minha resposta se você me perguntasse pelo que um viajante solteiro é apaixonado. Homem ou mulher, não importa. Eles são os que mais sabem aproveitar a oportunidade de se estar vivo num planeta tão belo.
Com um desejo ardente em conhecer todos os lugares do mundo, eles não pouparão esforços para conquistar tal façanha. Nada é capaz de detê-los. Sua vida está ligada no 220v. Não, na verdade sua vida está ligada numa extensão com várias saídas desta mesma voltagem, porque uma não é o suficiente pra descarregar toda a energia que corre em seu corpo.
Dinheiro não é um empecilho. Se o que tiver na carteira só é o bastante para o combustível, tudo bem, eles irão encostar o carro em qualquer canto e dormir por lá. Irão ficar a base de comida congelada o tempo que for necessário. E, cara, se de coração você ajudá-los em algo, seja no que for, você ganhará um amigo para o resto da vida. Eles serão eternamente gratos pela sua generosidade.
Todos os seus dias são como um fim de semana. Acreditam que a alegria da liberdade não pode ser esperada apenas dois dias por semana. Eles irão adorar receber uma ligação de um amigo os convidando para viajar no dia seguinte. Eles sentem prazer ao decidir algo de última hora. Mesmo que com um pouco de medo, eles sabem que quanto menor o planejamento, mais memorável será a jornada.
Viajante e solteiro na mesma frase não significa que pra eles tudo vire putaria. E, mesmo que às vezes possam estar a fim de que vire, não há o menor problema. Estão livres. Aliás, acham que errados são aqueles que fazem o mesmo enquanto namoram. Contudo, o significado do termo é muito maior pra eles do que as pessoas pensam. Está ligado à intensidade das experiências. À conexão entre as pessoas. À sintonia e a harmonia que a vida deve ter. À não precisar pedir permissão pra fazer absolutamente nada. À deixar que o vento de sua escolha o leve. E a mudar o rumo quando achar conveniente.
Para eles não há viagem ruim. Eles preferem viajar com os amigos, mas se todos estiverem namorando, não tem problema. Não duvida nenhum pouco que irá fazer novos amigos pelo caminho. Esse povo se atrai e se une de uma forma inacreditável. Se eles se hospedam em um hostel com pub então, nossa, a viagem será LE-GEN-DA-RY.
Esses viajantes solteiros sabem que esse seu estado não dura para sempre. Em algum momento irão se apaixonar. Entretanto, não é qualquer um que fará com que eles mudem de rotina. Eles só irão abandonar essa vida incrível ao encontrarem uma pessoa que seja ainda mais incrível, alguém que valha a pena seguir, juntos, para um novo destino. E, quando esse dia chegar, esses ex-solteiros se tornarão no melhor namorado ou namorada que alguém pode ter.
Do menino que adora pub em hostel.
– Eric Ventura

Que lembranças terão de você após a sua morte?


Toda vez passa um filme pela minha cabeça quando ouço sobre o falecimento de alguém. Esse último fim de semana não foi diferente. Dessa vez foi um parente, uma tia-avó, mas que nunca cheguei a conhecer. Sabe daqueles que a gente só conhece uma ou duas histórias? Então. Aí esse filme foi passando e me fez pensar sobre todas as lembranças que a pessoa que morreu deixou pra trás e que apenas alguns conhecem. Muitas vezes são histórias sensacionais que nunca chegaram aos nossos ouvidos. E, no meu caso, esse filme foi curto por não saber muita coisa sobre ela.
Essa pequena reflexão me fez analisar sobre as histórias que nós deixamos por aí. Não importa pra onde vamos, uma pequena memória é deixada lá. Pra nós ou pra alguém que nos notou. Me faz pensar ainda mais em como é gratificante quando lembram da gente sobre algum fato engraçado ou de alguma coisa boa. Por isso é importante prestarmos atenção em que tipo de mensagem estamos deixando. Em como é bom repensar o jeito que levamos a vida. Mas não apenas para que se lembrem de coisas boas quando morrermos, e sim para que mesmo em vida as pessoas ao nosso redor tenham motivos para se lembrar da gente de uma forma boa.
Com certeza, antes mesmo de pensarmos em como lembrariam da gente, precisamos principalmente agradar a nós mesmos. Essa é a nossa vida. Somos os maiores interessados nela. Mas, dependendo de como agirmos com os outros, não podemos reclamar da reação que recebermos. Vivemos num planeta com quase 7 bilhões de pessoas e temos que conviver com elas de uma forma ou de outra. Assim, acredito que temos o poder em nossas mãos de termos relacionamentos saudáveis com os demais. Se nos entregarmos de todo coração com a veracidade que sentimos, tudo pende a ser melhor. Se alguns dos retornos não forem bons, tudo bem, não podemos esquecer que não muito longe da gente há mais algumas centenas de pessoas. E a maioria delas são boas, pode apostar.
Em uma viagem temos a chance de vivenciar momentos que nunca imaginamos viver um dia. Há ainda tantas histórias para protagonizarmos que seria uma pena não aproveitá-las. E após se tornar lembrança, que saiamos em busca de uma nova. Encher nossa vida de vários “agoras” é a fórmula de colecionar ótimos momentos. Estamos vivos. Apreciemos isso.
Que lembranças terão de você após a sua morte? Eu espero que as melhores.
Do menino, que deseja conforto para aqueles que dividiram ótimas histórias com a minha tia-avó.
– Eric Ventura

Sobre trabalhar e realizar apenas os sonhos dos outros


Naquela enorme sala eu me perguntava: “o que você ainda está fazendo aqui?”. Os demais também reclamavam, mesmo eu achando que no fundo gostavam, mas lá ficavam eles até mais tarde para realizar os sonhos dos outros e não ganhando um centavo a mais por isso. Essas pessoas mal tinham tempo para se dedicar aos seus próprios. Ser chamado de workaholic por um colega era motivo de orgulho. E, sim, eu era um desses.
Até chegar a conclusão que isso não fazia bem para mim, eu já computava no sistema mais de 400 horas extras de trabalho em aproximadamente 6 meses na empresa. E por muito tempo achava isso “cool”. Não posso dizer pelas outros, mas, pra mim, isso é inaceitável.
Tentando renovar um pouco a vida, parti para novos locais de trabalho. Era hora de uma nova guinada. Mas, de novo, era somente as pessoas, pois as mesmas coisas estavam a acontecer. Mais e mais trabalho de última hora. Prazos curtos para entrega. E assim vai. Só que, diferente dos empregos anteriores, a resistência para se manter firme nesse trabalho tinha tempo de validade, tinha uma finalidade: guardar dinheiro para cair no mundo.
As experiências ruins, sejam quais forem, nos trazem aprendizado e, combinado com algumas boas reflexões, nos tornam numa nova pessoa. Perceber que existem coisas que nos perturbam nos dá a chance de mudarmos. E foi assim que um trabalho, do qual a ânsia em fazer parte era antiga, me mostrou que meus sonhos guardados, aqueles que pareciam não ser realizáveis, poderiam ir muito além. Por isso não posso me arrepender de ter passado por esses momentos ruins, através deles sou a pessoa que desejava ser. Assim, realizar o desejo de conhecer o mundo aguçou ainda mais em ter novos sonhos e acreditar que eles podem ser alcançados.
Acredito que cada etapa que vencemos abre caminho para novas possibilidades. Atravessei o oceano para descobrir que o meu “eu” verdadeiro estava mais próximo do que imaginava. Foi pelo mundo que o conheci melhor e continua sendo por aí que desejo encontrá-lo mais vezes.
Do menino que, hoje, trabalha muito mais do que antes, mas com a grande diferença de que isso o faz feliz por agora ser verdadeiramente em prol de seus próprios sonhos e realizações.
– Eric Ventura

Só entre na chuva se realmente quiser se molhar


Nós temos o costume de ficarmos apenas a observar as coisas através da janela ao invés de irmos nos molhar. Não, não estou falando apenas da chuva. É muito mais que isso.
Temos o hábito de vivermos como num feriado chuvoso: deitados, observando a janela e imaginando tudo o que podíamos estar fazendo para aproveitar o momento. Merecemos um descanso, mas se o sentimento é que devíamos estar fazendo algo a respeito, sabemos que é hora de trabalhar.
Não podemos apenas falar, precisamos parar de especular e começar a agir. Este texto por exemplo teve que ser refeito por eu ter perdido a primeira versão graças a um erro que cometi em não ter salvo. Por mais que tenha ficado bravo, temos que nos levantar novamente e recomeçar o trabalho. Inúmeros contratempos irão surgir pelo caminho, mas eles não devem ser motivos para desistirmos. Se nosso plano for interrompido o adaptemos para a atual situação, às vezes esse novo rumo nos levará para algo ainda maior. Faça isso por você. Se isso não te motivar, eu não sei o que vai.
Só entre na chuva se realmente quiser se molhar. Algumas gotas pelo corpo não te farão muita diferença. Então, entre com vontade. Aprenda a nadar caso haja uma inundação, pois são suas habilidades que o levarão adiante. Alguns relâmpagos podem te assustar durante o caminho, mas não deixe que eles te façam desistir. Você verá que existe beleza até nas coisas que nos assustam.
Alguma hora precisamos parar de sonhar para poder realizar nossos desejos. Pra isso precisamos estar dispostos a entrar na chuva, na tempestade ou seja lá o que estiver pela frente. Se for algo mais parecido com um dilúvio, não tem problema, preparemos um barco e estejamos prontos pra remá-lo.
Do menino que está entrando hoje em uma nova chuva.
– Eric Ventura

Erga a cabeça


Vamos fazer um trato? Prometo puxar a sua orelha de vez em quando caso você precise se você também puxar a minha, ok? Fechado? Às vezes a gente precisa desse puxão, mas não tomemos como um sermão e sim como um conselho, um incentivo.
Sei que você está por aqui por alguma razão. E os nossos caminhos não se cruzaram por acaso, não acredito nesse tipo de coincidência. Acho que essas razões são mais um ato divino do que apenas uma casualidade.
Quero falar sobre esse seu ânimo aí. Essas suas vontades paradas, engavetadas, esquecidas ou como você prefira chamar. Não deixe que esse motivo que tanto está te incomodando te infernize por mais tempo. E se for uma pessoa que esteja fazendo isso, dê um basta. A gente passa por isso diversas vezes na vida e ficar acumulando esse tipo de coisa só irá piorar. Mas não lhe faça mal, pelo contrário, só faça o bem. É disso que ela está precisando.
Se achamos que não temos força suficiente pra resolver nossos problemas, temos que procurar dentro de nós onde ela pode estar guardada e como fazer ela se manifestar. Pode apostar, ela simplesmente está aí, apenas não estamos sentindo sua presença. Devido a ausência dessa força, às vezes, depositamos nossas energias em um outro alguém achando que, assim, ela sempre sustentará a pilastra a qual chamamos de vida. Mas não, ela não é o suporte principal, o que te sustentará o tempo todo. Essa base é você, apenas você. Seus pés são melhor guiados quando sua fé está alinhada com Deus, mas a força pra fazer levar um a frente do outro é sua. Erga a cabeça e olhe adiante, pois a vista do horizonte é mais deslumbrante do que a do chão.
Se você não se identificou com isso nesse momento, que bom, esse "sermão" não foi pra você dessa vez. Eu também provavelmente adiei seu puxão de orelha em mim. Mas caso precise dessa dose de ânimo um dias desses, esse puxão está aqui pra você e torcendo que ele te motive.
Do menino que, ao se permitir olhar adiante, se deslumbrou.
– Eric Ventura

Lamento por você ser um covarde


Tem gente que vê uma nova página nas redes sociais sobre viagem e diz: "Lá vem outro candidato a ser o cara que largou tudo, criou um blog, uma página no Facebook e quer me ensinar como aproveitar cada minuto da minha vida. Que piada!". Bem, meu caro, se você se identifica com essa frase, esse texto é pra você.
Há poucos dias uma mulher me questionou sobre liberdade. Em seu discurso, disse não ser uma madame para sair viajando por aí e que precisam acabar com esse tipo de maluquice. Será que as pessoas pensam que a única forma de viajar é ficando em hotéis de luxo e fazendo compras? Que o único motivo de sair de casa é para a ostentação?
Cada um tem seus motivos, mas para mim o sentido de viajar é muito mais que conhecer pontos turísticos. Significa deixar bater as asas que me foram dadas. É conhecer os lugares que nos foram presenteados. É a realização de sonhos que não deveriam ser apenas sonhos. Minha consciência precisa saber que existem mais possibilidades do que apenas a de obedecer ordens no horário do expediente.
Lamento por essa mulher e por várias outras pessoas, pois esse pensamento não é único. Muitos deles estão espalhados pelo mundo. Para mim são os mesmos reclamões que criticam tudo e todos do outro lado do computador. Eles também estão no grupo daqueles que nada fazem para mudar. E pior, exigem ética e são os primeiros a burlar o sistema para se darem bem. Não se informam direito sobre coisa alguma. Comparam o nosso país com qualquer outro sendo que mal tiraram os pés do próprio estado. São pessoas que foram consumidas por suas inseguranças e, sinceramente, eu lamento por isso. Perderam a chance de viver.
Eu quero cada vez mais a força para poder sair do cotidiano e me aventurar em novos mares. A gente sente quando chegou a hora decisiva de mudar a nossa vida, que não dá mais para prolongar o inevitável. O estresse e a pressão alta podem estar nos alertando sobre isso, sendo esses sintomas decorrentes de uma rotina que não queremos mais levar. E ela está cada vez mais presente em nossa sociedade. E essa mesma sociedade é a que critica nossa posição de tentar reverter o jogo. Assim, mais evidente fica pra mim que essas pessoas tem medo de mudarem suas vidas e, perante suas covardias, não aceitam que ninguém o faça.
Se não acreditarmos em nós mesmos e termos a coragem de nos desafiar, faremos apenas as coisas que nos forem necessárias e não as que forem importantes. Mais clichê do que  “realizar os nossos sonhos” é chegarmos ao fim da vida e nos arrependermos de não ter feito o que desejávamos. Se você se encaixa nesse esteriótipo, repense seus atos. Existem aqueles que estão deixando sua zona de conforto e arriscando uma vida melhor. E há quem faz o que não quer, conquistando o que nunca quis. O tempo passa e não consegue descobrir onde errou. Se você persiste nesse erro, eu lamento por você também.
Do menino, que já se lamentou muito consigo mesmo.
– Eric Ventura

Liberte-se


Liberte-se. É só o que repito para mim.
Liberte-se dessas roupas e máscaras, você não precisa se parecer com todos, sua personalidade é muito importante para esse mundo. Viver num lugar cheio de “robôs” é muito chato.
Liberte-se daqueles que te sufocam, você irá respirar melhor e viverá mais.
Liberte-se daquele trabalho que te consome, você pode conseguir um melhor, um em que possa realmente usar seu talento para uma coisa boa.
Liberte-se das mesmas músicas, ouça novos ritmos, seu corpo precisa descobrir novos embalos. Ficar naquele “rockzinho” de sempre não deixam seus ouvidos conhecerem Chico Buarque, Emicida, Zé Ramalho e Nina Simone.
Liberte-se dos mesmos erros. Teste novas atitudes, você pode ouvir mais “sim” do que os “não” de sempre. Teste. Teste. Teste. Se não deu certo, teste de novo. De novo. E de novo.
Liberte-se das mesmas rotinas. Experimente novos caminhos, novos meios de transportes, novas comidas, novos lugares e, principalmente, experimente ser você mesmo.
Liberte-se das coisas materiais, você se sentirá mais leve. Não que você precise largar tudo o que tem, mas que você não dê mais valor a elas do que as coisas mais simples. Há de nascer ainda algo mais memorável do que estar em traje de gala e tomar chuva com alguém que você ame.
Liberte-se de preconceitos, eles só atrasam sua vida. E também atrasa a vida das outras pessoas. Isso faz mal a todos. Queira só o bem para o próximo que isso só atrai benefícios pra você também.
Liberte-se de um amor que não é recíproco. Você merece muito mais. Tem tanta gente melhor só esperando pra ser encontrada, pode ter certeza que alguém lhe dará o devido respeito que você merece. E ainda pode ganhar um pote de Nutella.
Liberte-se em não se deixar se libertar. Tem um mundão tão grande pra você conhecer. Tem tantas pessoas legais por aí pra você poder chamar de amigo. Tem tanta coisa boa em você que ainda é desconhecido que é um desperdício não se deixar desbravar para descobrir. Ninguém pode fazê-lo por você.
Liberte-se.
Do menino que repete. Repete. E repete.
– Eric Ventura

PS – O texto foi inspirado no projeto de série que criei e que se chama “Liberte-se”. Assita o primeiro vídeo abaixo:


Sobre a urgência em viver o hoje


Às vezes, ao meu redor, sinto como se fosse o único a sofrer em permanecer muito tempo no mesmo lugar. Vejo as pessoas confortáveis em suas cadeiras estofadas, reclamando em voz baixa sobre como certas coisas corriqueiras não lhe agradam. Se estressam com coisas com as quais não se importam. Se empenham ao máximo num trabalho em que não possuem o mínimo de interesse. Não posso acreditar que existam pessoas assim. Me pergunto como deixaram isso acontecer com elas mesmas. Ao girar a cadeira para voltar ao trabalho, com os cotovelos sobre a mesa, com os olhos fixos na tela do monitor, percebo: EU também sou uma dessas pessoas.
Surgem as análises. Perguntas e mais perguntas. Daquelas que mais precisam de uma resposta. Entre elas estão as autocríticas e pensamentos como “onde foi que eu me perdi?”. E, depois de toda a sua filosofia de vida à prova, se assusta ao se deparar com palavras como conformismo, medo e indecisão. Assim, diferente do que pensava no começo, você acaba descobrindo que realmente não é o único a sofrer em ficar no mesmo lugar, vários colegas estão na mesma situação. Únicos são aqueles que fazem algo para reparar suas frustrações.
Sempre ouço dizer sobre a geração Y, sua ânsia em viver o hoje e o seu senso de urgência em desfrutar tudo o que deseja. Acredito que nós, seres humanos, pendamos a ser assim. Nos esforçamos um ou dois dias e já nos achamos merecedores de todas as glórias. Ou que já podemos ficar esperando as recompensas. As coisas não são fáceis assim. Pior ainda se você estiver ansiando por um sonho e não estiver trabalhando nele. Apenas almejar não nos levará a lugar algum.
Depois de tanto pensar sobre não estarmos fazendo o que gostamos de verdade, nos bate a sensação de estarmos perdendo tempo. Desse modo, faço a pergunta: Se você pudesse voltar ao passado para consertar alguma coisa, você voltaria? Difícil pergunta, eu sei. Poder voltar e corrigir algumas coisas das quais não saíram como esperávamos é muito tentador. Me fiz essa pergunta seriamente há poucos anos, mesmo sendo algo inalcançável, mas precisava provar pra mim mesmo que tudo que acontece, no fim das contas, é algo bom para nós. É como deveria ser.
Iniciado a reflexão, não foi tão difícil chegar a conclusão que voltar não seria a melhor opção, mesmo que, no fundo, a vontade em poder mudar persista em existir. Mas permitir que haja uma chance em perder certas experiências vividas, algumas das quais você considera umas das melhores da sua vida, talvez fosse um erro ainda maior. Abdicá-las seria perder sua essência. Se é pra arriscar, que seja desafiando o agora, do jeito que está, valerá mais a pena do que querer fazer sumir do nada o que te incomoda.
Mais favorável do que mudar o que passou, temos o dom de mudar o presente e, consequentemente, o futuro. Deixe o passado onde ele deve ficar. O que fazer de agora em diante é o que importa, é o que vai determinar nossa vida.
Minhas pernas necessitam caminhar. Adoeço quando sinto que não estou em movimento, não poder tocar o vento com as mãos. Entre as opções que a vida me dá, eu escolho a liberdade. É isso o que me leva adiante. Seguindo nesse sentido, estou prestes a dar um novo passo. E não sei exatamente o que virá depois. E isso é tão sensacional, a sensação de que estou no controle da minha vida, mas, ao mesmo tempo, sem saber se as coisas darão certo como espero. O importante é saber que estou fazendo o que quero e que as minhas ações é que definirão o que acontecerá a seguir. E, ter fé que estou fazendo o que me faz feliz, que o hoje está sendo vivido, sinto que estou voltando ao rumo certo.
Do menino, que agora vai.
– Eric Ventura

Aquele em que caí na estrada sem saber pra onde iria


O ronco do motor ligando avisa que estamos prontos. O fechar da porta confirma isso. A ansiedade aumentava, assim como o sorriso no rosto. Contudo, apenas um detalhe importante: o destino da viagem fora escolhido a poucos minutos atrás sem nenhum planejamento. E assim iniciou a última loucura dos meus 28 anos e o primeiro ciclo dos 29.
Alguns dias antes da viagem, foram daqueles que você quer jogar tudo para o alto. Daquelas semanas em que você não vê a hora que ela acabe. E olha que esse fim de semana era o menos esperado por mim no ano, pois através dele é que me aproximaria mais dos temíveis 30 anos de idade. Dias assim parecem ser mais recorrentes no inferno astral. Não acredito muito nisso, mas vivenciar a tensão e correria no trabalho nos dias que antecedem o carnaval e fazer aniversário na mesma semana, não me parece coincidência.
Fora os problemas habituais, tinha o problema de última hora de não conseguir viajar com minha família, que viajaria bem no fatídico fim de semana. Você sabe que precisa viajar quando não há motivos para não ir. E foi nesse exato momento que sabia o que deveria fazer.
Nada me prendendo e nenhum compromisso a cumprir, a estrada seria minha, só minha. A mochila, encostada por um tempo, veria a luz do sol novamente. E, em poucos minutos, tudo o que precisava, estava pendurada nas costas. Com tudo pronto, só restava uma dúvida: para onde eu iria? A graça estava justamente aí, não saber. E na rodoviária, andando entre os guichês procurando por um destino, meus olhos se encontraram com um e, naquele momento, soube para onde deveria ir.
Há anos já pensava sobre como seria viajar sem saber pra onde ir. Uma viagem sem roteiro, sem saber onde ficar e o que iria ver e fazer. Sabia que não poderia morrer um dia sem ter essa sensação. E agora posso dizer: ela é ótima.
Existem viagens que começam antes mesmo de se embarcar. Algumas tem início assim que se ouve o chamado da jornada. Às vezes elas surgem quando você se sente distante e perdido, mas depois te mostram que, na realidade, você nunca esteve tão perto e na direção certa.
Do menino, que adverte: viajar sem destino, vicia.
– Eric Ventura

Sobre escolhas e fazer acontecer


Promessas. Juras de amor. Perdão. Mudança. Essas são algumas das coisas mais nobres desse mundo, que movem o ser humano. São as mais presentes nos pedidos de ano novo, principalmente quando há o desejo de uma reviravolta na vida. Contudo, existe algo que é imprescindível após esses desejos: a realização.
Verbo favorito dos sonhadores, realizar é quando tudo aquilo que foi planejado está construído por completo. E isso é o que mais sentimos falta ao decorrer dos meses, gerando a famosa frustração que, acredito eu, todos já provamos de seu sabor. Entretanto, fracassar não é de todo ruim, pelo contrário, é bom, caso saibamos o que fazer com ela. É no fracasso que temos a chance de transformar o erro em experiência. O caminho para a sabedoria é trilhado com diversos passos tortos. Assim, cada vez mais, nossas escolhas serão afinadas com o ritmo que queremos seguir.
“É fácil falar, difícil é fazer”, vocês podem me dizer. Realmente é bem difícil. Mas acho que às vezes complicamos demais coisas que deveriam ser simples. Já li artigos sobre crianças abrindo uma, duas e até três empresas. É algo chocante? Sim, mas se pararmos para pensar não é tanto se levarmos em conta que esses pequenos não tem as amarras que temos, principalmente as inseguranças. Se sentir livre é o primeiro passo para fazer algo acontecer.
Acredito que se tivermos uma percepção da vida igual a de uma criança, de que tudo é possível, mais acessíveis se tornam nossos sonhos. Elas sabem das regras, mas sempre encontram um jeito de usá-las a seu favor. E, assim, fazem de seus planos, acontecer.
Do menino, que não tem uma criança como exemplo por acaso.
– Eric Ventura

Pelo direito de voar


Se tem algo que não entendo em nós, seres humanos, é o dom de complicarmos coisas que deveriam ser simples. Impomos limitações e regras sem ao menos alguém ter nos pedido para por. Demoramos para perceber o quanto algumas delas nos atrapalham diariamente. E essas barreiras formadas se tornam difíceis de serem derrubadas ao longo do tempo.
Viajar. Essa é uma das que mais complicamos. Parece que só temos tempo pra isso quando é época de férias, tanto que companhias de viagens perceberam isso há anos, nos fazendo pagar o dobro ou o triplo nas passagens. E por esses altos preços é que muitos de nós acabamos desistindo de embarcar, passando desse jeito o ano todo sem viagem alguma, prometendo ser diferente no próximo ano. No próximo também. E no próximo.
A vida é agora. Não há problema em viajar no fim do ano, é quando a maioria das pessoas estão livres, mas não podemos esquecer de trabalhar essa liberdade o ano todo. São vários meses pra se aproveitar do que apenas pensar numa quinzena no recesso.
Nós, viajantes desse mundão, vivemos sempre nas alturas, sonhando. Mesmo a maior parte do tempo com os pés cravados ao chão, nossas mentes estão a milhares de pés de altitude. Voando, queremos subir e chegar ainda mais longe.
Pensando dessa forma, tenho a vida como uma viagem de avião, porque somos conduzidos a um destino. E ela segue tão rápida que fica difícil parar pra pensar no rumo que estamos tomando, seguindo assim numa linha reta. Chega o momento de uma conexão e ficamos perdidos, não sabemos qual escolher. Não há outra saída a não ser tomar uma decisão apressada. Sem nos darmos conta, tomamos um caminho no qual não queremos seguir. Mas todo voo tem suas turbulências e sempre vai parecer ter algo nos puxando pra baixo. No entanto, não significa que o avião não pousará bem. Com destreza, aprenderemos a tomar o lugar do piloto e ter o controle para uma viagem mais tranquila.

Nosso dia a dia determina aos poucos qual será o fim dessa jornada. Assim, traga o mundo ideal, aquele em que você sonha viver, pra mais perto de você. É relaxante assistir o mundo passar devagar pela janela, mas já é hora de andar, fazer acontecer. Que o seu direito de voar não se limite apenas a subir em um avião, mas sim que faça bater seu par de asas onde quer que você esteja. E que essa sensação de voo permaneça em todos os momentos de seu novo ano.
Do menino, que deseja que novos ventos te levem a novos destinos.
– Eric Ventura

Estradas



Há poucos dias me vi mexendo em um caderno velho de rabiscos e, algo nele, me chamou a atenção. Numa das folhas me deparei com o título “Planejamento e Objetivos até 2016”. Lendo coluna por coluna, ano após ano, fui me deprimindo.

De acordo com as probabilidades escritas lá, nesse momento eu já estaria com um livro escrito por completo e publicado. Com o espanhol na ponta da língua. Com o mochilão pela América do Sul realizado. Recém terminado um MBA em Marketing. E ainda prestes a conseguir um cargo de diretor numa grande empresa e lucrando com uma startup. Posso lhe dizer que nenhum desses itens foram concretizados. Digo também que, tirando um item ou outro depois de ter refletido sobre, isso é um alívio. Não que se tivesse feito teria sido um desperdício, porque toda experiência é válida, mas a gente olha pra trás e vemos como mudamos. E como nossos planos também mudaram.
Às vezes nos sentimos fracos por algum plano não ter dado certo, mas não entendemos que aquele não era o momento adequado ou então que algo melhor nos espera. Podemos planejar, mas é na estrada que realmente nos conhecemos e descobrimos o que é melhor pra gente. E é vivendo cada dia que nossas pernas ganharão forças para chegar mais longe.
Gosto dessa relação de viagem com a vida, acho que se acreditamos que elas se parecem, a aproveitamos melhor, pois durante uma aventura é que aprendemos a valorizar as chances à nossa frente. Nos damos a oportunidade de sermos uma nova pessoa, aquela que somos de verdade e às vezes nem sabemos. De termos novas histórias para contar. De fazermos novas amizades. Entre vários outros novos pela frente.
Cada viajante tem seus propósitos, suas buscas e seus questionamentos. A estrada foi a forma que cada um encontrou para se encontrar, cada qual com uma bagagem diferente, procurando destinos diferentes. Que continuemos a prosseguir e cada um possa encontrar seu caminho. E quando achar algum, que outras jornadas apareçam pra que nossas viagens nunca acabem.
Do menino, que tem um planejamento mais furado que o seu.
– Eric Ventura

O que deixamos pra trás


Às vezes, deitado e prestes a dormir, me encontro perguntando para mim mesmo sobre meu dia. Entre vários devaneios filosóficos que normalmente me causam insônia, me questiono sobre o que fiz. Não apenas isso, penso no que deixei pra trás, o que ficou e nunca mais será possível alcançar já que, aquilo, foi consumido pelo passado. Sobre o que podia ter dito e não disse. Sobre ter aproveitado uma oportunidade na qual não aproveitei. E enquanto ficava nesses dilemas, descobri algo que lá no fundo já sabia: sofro da síndrome de não poder ser e fazer TUDO que se é possível. Calma, eu explico.
Você vai e faz um intercâmbio e acaba querendo morar lá para sempre, ao mesmo tempo que quer morar também para sempre no lugar de onde veio e de todos os que conheceu. Sem contar aqueles duzentos ou trezentos que ansia muito em conhecer e sabe por instinto que moraria lá também. Gostar de um local de trabalho que você está e aparecer algum outro que te interesse e, em vez de trocar, poder ficar nos dois. Isso se não aparecer um terceiro. E ainda querer ter milhões de profissões diferentes pra poder fazer tudo, poder preencher todas as lacunas. Tocar todos os instrumentos. Falar todas as línguas. Conhecer todo mundo e o mundo todo. É isso, esse sou eu.
Mesmo com o sonho de que fosse possível me dividir em várias pessoas, ainda prefiro do jeito como as coisas são, pois acredito que a mágica está nisso, não passar de um sonho impossível de se realizar. Por quê? Porque acredito que há uma beleza em se deixar algo depois de ter decidido que uma outra alternativa seja ainda melhor pra você. E ter que selecionar opções pra levar durante a vida toda a torna ainda mais especial. Poder adicionar um novo hobbie na sua lista depois de alguns anos sem um novo e se aperfeiçoar é indescritível. Saber de tudo nos impediria de nos relacionar com as outras pessoas achando que de nada elas nos acrescentariam. E quem somos nós sem as outras pessoas, não é? Como Christopher McCandless aprende no filme Na Natureza Selvagem – filme que todo mochileiro adora – “A felicidade só é real quando compartilhada”.
Quando nos sujeitamos a embarcar numa viagem, somos obrigados a deixar algumas coisas pra trás. E essa é uma das melhores coisas que ela nos proporciona. O viajante aprende que não deve se prender à coisas, muito pelo contrário, deve se apegar ao momento exato em que está vivendo. Assim, que possamos compartilhar de nossas experiências e deixar algumas histórias pra trás. Algum quarto que deixamos vazio por aí e sentimos saudades, hoje é habitado por um novo alguém, que ainda ficará para um outro amanhã. E que, nesse ciclo que muda constantemente, novas histórias se iniciem.
Do menino, que procura poder compartilhar mais.
– Eric Ventura